Neste dia planejamos visitar a Fundação Serralves (Rua Dom João de Castro,210, 4150-417 Porto,Portugal) de arte contemporânea. Andamos até o ponto de ônibus, e no caminho não resisti em fotografar a propaganda do guaraná antártica… aquele que faz “rabinho virar bumbum”…
De ônibus a viagem é bem rápida. Chegamos lá com outro grupo de turistas. Para nossa grata surpresa, a entrada era gratuita no domingo, de 10 às 13:30h.
Neste dia estava tendo a exposição “OFF THE WALL/FORA DA PAREDE” de arte contemporânea. Arte contemporânea é lúdica. Sempre dá para se divertir bastante vendo esse tipo de exposição. A mostra reunia trabalhos de vários artistas, entre eles Vito Aconcci e Cindy Sherman. Algumas obras eram bem interativas, como o plano inclinado que subi, ou a fina mureta que o visitante deveria passar, como um um equilibrista. Uma senhora bem idosa atravessou, amparada por dois homens, é claro. Mas é interessante ver como a arte pode interessar e ser divertida para todas as idades.
Outra obra que chama a atenção é a de John Baldessari, “I will not make any more boring art”.
Para não fugir ao meu tema predileto, Tem também o trabalho de Hannah Wilke, Through the Large Glass, onde ela faz um striptease silencioso tendo à sua frente o grande vidro de Marcel Duchamps. Não é um trabalho super interessante, mas o corpo dela era bem bonito.
Robert Morris
Uma outra exposição bem interessante, aliás, para mim a mais interessante, foi a de Richard Morris, com seus vídeos de registros de performances. Obviamente algumas obras chamam mais a atenção que outras. Uma que gostei muito, chamada de “Waterman Switch”(1965), mostra um casal dançando uma “valsa minimalista”, em cima de uma tábua. O efeito é bem interessante.
Outro vídeo (birthday boy) mostra, em paredes opostas, a projeção de uma “conferência” acadêmica sobre os 500 anos do David de Miguelângelo. Um homem e uma mulher fazem o papel dos conferencistas. No início, suas falas são coerentes, mas a medida que o tempo passa, eles são servidos com vinho e suas falas ficam cada vez mais confusas.
Obras Interativas
Ficamos um bom tempo dentro do Museu. Antes de sair ainda testei mais uma obra interativa do Robert Morris. O objetivo é de se equilibrar em cima de tábua que está sobre uma esfera… Foi divertido.
Jardim e Casa
No jardim encontramos diversas esculturas, o que levou este museu a ser comparado a Inhotim. Nada a ver, Inhotim é muito melhor e mais especial. Algumas poucas esculturas nos chamaram a atenção, como essa pá, cravada na entrada do jardim.
De qualquer forma, o jardim é agradável para se visitar. Pegamos o mapa com as marcações das esculturas ao ar livre e fomos procurar.
Muitas esculturas estavam sem manutenção. Muito triste, mas arte custa muito caro…dentro da casa, também diversos trabalhos. A casa é enorme. O grande problema é que a casa é tão grande que rivaliza com as obras de arte em interesse. A casa já é uma obra de arte!
As obras dentro da casa faziam parte da exposição “CASA, MODO DE USAR”, de Leonor Antunes. Em alguns cômodos a ocupação funcionava bem, em outras não.
cada cômodo da casa era ocupado por uma obra de arte.
De dentro da casa também podemos ter uma bela vista do jardim no exterior.
Jardim de novo
Já cansados de andar, saímos da casa e procuramos um lugar com sombra para sentar. Continuei fotografando as pessoas que passavam. Três garotas olhavam o resultado de suas fotos ao mesmo tempo. De fotógrafas passaram a fotografadas..
Andando pelo jardim, várias esculturas precisando de manutenção, inclusive um vidro quebrado de uma obra de Dan Graham.
Andando mais, a fundação desenvolve também uma trabalho de manter animais da pecuária para visitas do público infantil. Achamos que estava relativamente vazio para um dia gratuito. Onde estão as famílias? e as crianças?
Nesta parte do parque da fundação, também tem um jardim de plantas aromáticas, que é delicioso de se andar em trono, sentindo os aromas das diversas plantas. É bastante modesto, mas vale a pena.
Também encontramos um pequeno pomar, com bastante frutas maduras. Experimentamos uma, pois estávamos com fome, estava ótima!
Saímos do parque e voltamos para a sede principal, onde tomamos um chopp (imperial) para refrescar antes de continuar nossas andanças.
Neste bar/restaurante cena estranha: será que ela estava catando piolho nele? Eca!
Saímos do museu e pegamos o ônibus de volta para a cidade. Passamos em frente ao Casa da Música, onde parecia haver algum show, mas não pudemos parar.
Papavinhos
Voltamos para perto do hotel e resolvemos descer até a rua Monchique para ir jantar. Nosso objetivo era ir ao restaurante Casa Nelinha, que tínhamos achado recomendação na Internet. Andamos bastante e já estava achando que não existia mais o restaurante. Finalmente chegamos. Fechado no domingo! Este parece ser mais um restaurante para trabalhadores da região e não um restaurante turístico; Daí estar fechado no domingo. Por sorte, e bota sorte nisso, tínhamos passado pouco antes pelo restaurante Papavinhos (Rua de Monchique, 23/24, Porto, Portugal 00351 222.000.204 | www.papavinhos.com/). Voltamos. No início achamos estranho. Só tínhamos nós no restaurante. O dono era supersimpático. Resolvemos comer na parte de cima do restaurante. Como estávamos com fome, pedimos um polvo ao alhinho para esperar o prato principal: Bacalhau à Lagareira. Meus caros, o Polvo ao Alhinho era divino! Nunca pensei que pudesse se fazer um polvo tão gostoso. Não tenho palavras para descrever. O dono, seu José, foi o tempo todo muito atencioso.
O restaurante é um negócio familiar. A esposa do seu José é a cozinheira, e que cozinheira! O único problema do Polvo ao Alhinho é que é tão bom que qualquer coisa que venha depois fica sem graça. Como o polvo era entrada, veio pouco. Poderíamos comer mais. Chegou o prato principal, Bacalhau e de início ficamos um pouco decepcionados, por causa da lembrança forte do polvo. Passadas algumas garfadas, o bacalhau foi aparecendo e o vimos que o gosto era excelente também. Uma refeição de sonho. A vista da janela sobre o rio Douro é fantástica e pegamos o entardecer. Melhor impossível.
Não tenho o que reclamar do Papavinhos. Comida boa, atendimento ótimo e preço bem razoável. Conversei um pouco com o seu José e falei sobre o prato típico da região, a famosa Tripas à moda do Porto. Não gosto de tripas, que é a nossa famosa dobradinha, mas fiquei curioso quanto a esta à moda do Porto. Seu José disse que se voltássemos, ele teria Tripas para nós, pois ela fica mais gostosa no dia seguinte. Na segunda-feira eles fariam a tripa e na terça ela estaria melhor ainda. Não quis prometer voltar, vida de turista não tem muito planejamento, mas o desejo era bem forte. O Papavinhos fecha na segunda-feira, o que calhava bem para visitarmos a Casa Nelinha e na terça voltar ao Papavinhos. Depois da refeição maravilhosa, perguntamos ao seu José como era para voltar para o hotel. Eles nos explicou que dava para ir à pé. Depois de comer tanto, era bom fazer algum exercício. Voltamos felizes por ter descoberto um restaurante tão bom. Comer é um prazer. Comer bem é um prazer maior ainda… Se abrisse no dia seguinte, certamente voltaríamos.
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~ por meiomegapixel em julho, 31 2011.
Publicado em Viagem
Tags: Porto, Portugal