Lisboa e Porto, 30 de julho
Rodoviária perdida
Pegamos o ônibus para a cidade de Porto às 10:30 da manhã. No dia anterior, tínhamos aproveitado para conhecer a rodoviária de Lisboa e comprar o bilhete para Porto. A estação rodoviária fica perto da estação do metrô Jardim Zoológico. No guia do routard dizia que a rodoviária era difícil de ser encontrada pois era mal indicada na estação. Comprovamos isso na prática. Na noite anterior fomos até a estação Jardim Zoológico. Quando saímos, placas indicavam a direção dos autocarros… seguimos as placas. Até aí, tudo bem. De repente, mais nenhuma placa. Saímos da estação e mais nenhuma indicação de onde estava a rodoviária. Voltamos até a última placa que tínhamos visto. Seguindo sua indicação de seguir em frente, não vimos mais nenhuma outra placa. Saímos de novo da estação, até que passou um casal e perguntamos como chegar na rodoviária. O rapaz disse que também estava indo para a rodoviária e que era mais fácil a gente seguir ele do que ele explicar. Acompanhamos eles e chegamos rápido à rodoviária, não antes de constatar que realmente não tem nenhuma indicação naquela direção. As placas somem de repente e se você não souber que tem que pegar a esquerda depois de subir umas escadas, você vai reto e se perde. De noite então, se perder é certo. Ainda bem que fizemos isso na noite anterior e não com as malas.
Assim, quando fomos para a rodoviária no dia da viagem, pudemos chegar rapidamente. No nosso apartamento em Lisboa, apenas deixamos a chave dentro e batemos a porta. Leonel viria depois. Ana quebrou sem querer um copo, e deixamos 3 euros para repor.
Quando chegamos na rodoviária, já com os bilhetes para o Porto, vimos uma confusão, muito parecida com o que encontramos no Brasil. Aqui está nossa herança cultural! Primeiro era difíil saber onde o ônibus parava, segundo, ele atrasou… As pessoas jogavam as malas no bagageiro do ônibus sem nenhum controle.
Finalmente entramos no ônibus. Uma viagem de 2 horas e meia. Logo na entrada, um rapaz, com feições africanas perguntou ao motorista pelo banheiro, “casa de banho” em Portugal. O ônibus não tinha. Resultado, depois de uma hora de viagem, o motorista para o ônibus no meio da estrada, olha para trás e grita “Quem é que queria uma sala de banho?” Todo mundo riu… A sala de banho em questão era uma árvore ao lado da estrada. Uma mulher comentou: “melhor olhar para o outro lado”, enquanto o rapaz saía do ônibus e aproveitava a árvore da estrada. O motorista também aproveitou a parada para ir na “árvore casa de banho”. Passado mais algum tempo, o ônibus fez uma parada num posto de serviço, com “casas de banho” de verdade.
No percurso, aproveitei para escrever o blog.
Porto
Chegamos na rodoviária de Porto. Parecia a rodoviária de Nova Iguaçu. Sei lá, mas acho que a de Nova Iguaçu é maior. Realmente não é a melhor impressão da cidade. Pegamos um táxi e fomos até nosso hotel “Tuela Porto Hotel” (Rua Arq. Marques Da Silva, Porto, 200). Ana tinha uma amiga que estava fazendo pós-doc no Porto, e tínhamos deixado avisado que estaríamos no Porto a partir dessa data. Ainda tentamos contactá-la depois que chegamos ao hotel, sem sucesso.
O hotel é bom, apesar de mais afastado do centro da cidade.
Palácio de Cristal
Vimos pelo mapa que era próximo do Jardim do Palácio de Cristal. Assim, fomos andando, seguindo a indicação da recepcionista, usando o mapa da cidade. Vê-se que Portugal tem bem menos dinheiro que a França. No caminho, vários prédios em mal estado de conservação, mas de qualquer forma, Porto é uma cidade interessante.
Chegamos ao Jardim. O palácio de Cristal parece que foi demolido, e agora se ergue no lugar um prédio moderno, que se assemelha a uma “meia-laranja”. A atividade cultural é intensa ali. Logo na entrada, era anunciado o show argentino “Gotan Project”. É um grupo que pretende renovar o tango (daí Gotan, tango ao contrário). Alguma coisa gosto, outra não. Mas gostei do cartaz…
Os jardins são bem bonitos e é um parque gratuito para as famílias. Os shows acontecem à noite e são pagos. Mais para os fundos do jardim, tem uma bela vista do Rio Douro e da ponte Arrábida.
Fotografando fotógrafas
Quando estávamos andando pelo jardim, surgiu um grupo de moças muito engraçado, que parecia estar fazendo algo como um curso de fotografia de moda. Traziam roupas e ficavam fotografando uma delas, que fazia poses de moda.
Andar pelos jardins de máquina em punho oferece muitas oportunidades. Uma coisa que percebemos é o tamanho da cidade. Apesar de ser um sábado de Sol e da gratuidade dos jardins, havia relativamente poucas pessoas aproveitando o jardim.
Estátuas gostosas
Numa atitude típica de turistas, interagimos com duas estátuas em bronze, numa fonte do jardim. Ana quis fingir que estava ouvindo a conversa entre elas, eu preferi apertar o mamilo da estátua.:)
Jardim dos Sentimentos
Muito interessante também é um jardim em forma de labirinto. Ele é chamado de jardim dos sentimentos, pois várias plantas dali tentam representar cada uma delas um sentimento. Por exemplo, um lírio representa a pureza, enquanto o ciúme é representado pelo alecrim.
Estranhíssimo era um lodo, que estava nos pequenos lagos do jardim. Fiz várias fotos. Talvez sirva quando quiser algo esquisito nas minhas fotos.
Namoros
Neste mesmo jardim “estátua da dor, me fazia mais pensar no rosto de uma mulher gozando, além do mais com tantos casais namorando por perto. Alguém tinha colocado uma pequena fruta vermelha nos lábios da estátua, o que reforçava ainda mais a sensação de prazer e não de dor.
O namoro corre solto no jardim. Em diversos pontos, vários casais, entre jovens e não tão jovens, aproveitam a calma e beleza do lugar para namorar. Fotografei alguns que achei interessantes.
Guia da Folha
Aproveitei uma pausa para descansar e estudar o guia de Porto. Infelizmente para o Porto, trouxemos apenas um “Guia da Folha de São Paulo de Portugal”, emprestado gentilmente por uma amiga. Sinceramente, não vale a pena. Pesado e não traz informações realmente úteis. Se você quer saber quem fez isso ou aquilo, saber da história do lugar, ler textos intermináveis e adquirir um conhecimento enciclopédico sobre o lugar que está visitando, ele serve. Melhor passar o dia no hotel lendo o guia.Se você quer saber quais são os bons restaurantes, que tipo de comida servem, a hora de abertura de parques e museus, como usar o transporte público, etc, este guia será um estorvo pesado. Mil vezes melhor é o Guide du Routard. É claro, depende do tipo de viagem que você quer fazer. Na realidade eu tentei achar mais onde comer bem no Porto. Como quem acompanha o blog já reparou, minha viagem é também gastronômica. Preciso saber o que tem para comer de melhor no lugar, sem gastar muito. A recepcionista tinha indicado um restaurante à beira do Douro, na parte histórica da cidade. O Guia da Folha não ajudou em nada.
Canções
Numa das praças do parque, um grupo de 3 jovens portugueses parecia ensaiar canções, com um violão e som amplificado. Ficava bonito, e até acho que era uma música do Oswaldo Montenegro, certamente era uma música brasileira, mas naquela doce voz de uma portuguesa com seu sotaque adquiria nova roupagem, quase como um fado. Depois tenho que me lembrar de qual música era.
Indo para o Douro
Saímos dos jardins para ir até a cidade. Ainda não conhecíamos nada do sistema de transporte de Lisboa, deve ser considerada informação inútil para o Guia da Folha. Afinal, turismo, para eles, é conhecer detalhes inúteis sobre a cidade e ir somente nos pontos turísticos, preferencialmente de táxi. Quem quer conhecer como vive uma cidade?
Como não somos deste tipo, fomos andando até o centro. Não é uma caminhada longa e podemos aos poucos conhecer a geografia da cidade. Nunca vou me cansar de me perder à pé nas cidades. Só assim se conhece realmente onde você está. Não sei se já falei isso, mas passear pela cidade é como a viagem de Ulisses para Ítaca. A gente escolhe um objetivo, e tenta chegar nele. No caminho vemos coisas interessantes, às vezes mais extraordinárias que nosso próprio objetivo. Conhecemos as cidades à pé, não dentro de um táxi. (a excessão deve ser Brasília, mas ela não é uma cidade em escala humana, é uma cidade para carros).
Carmelitas
Chegando ao Centro histórico, passamos por uma bela igreja de Carmelitas. Antes pensava que Carmelitas só podia ser mulheres, mas para nossa surpresa, esta é uma ordem religiosa de homens; A igreja tem um grande mural em azulejos que cobre toda a sua parede direita.
Em frente à igreja, alguns bondes, essencialmente para decoração.
Porto é uma cidade conhecida por sua universidade, e estávamos perto dela, ali naquele centrinho, com praça de chafariz. Achei curioso duas mulheres muçulmanas tirando fotos em frente ao chafariz da praça.
Lelo e Irmão
Andando um pouco mais, chegamos à centenária livraria “Lelo e Irmão”, na rua dos Clérigos. Pelo horário que chegamos, e por ser sábado, ela estava fechada. No final, foi até sorte. Na fachada, antipáticos avisos de que é proibido fotografar dentro da livraria. MAs como estava fechada, com porta de vidro, várias pessoas aproveitavam para fotografar. Normalmente fica um funcionário dentro da livraria só para impedir que as pessoas façam fotos. Outro dia que fomos, a cada 3 minutos a gente ouvia ele dizer para um turista desavisado: “No Photos!”.
A livraria tem elementos arquitetônicos Art Nouveau e realmente é muito bonita. Só achei meio antipático esta cosia de ter um funcionário só para impedir as pessoas de fotografar. Bom, eles devem saber o que é bom para o negócio deles.
feira de Artesanato
Numa rua próxima acontecia uma feira de artesanatos. Percebi que a maioria dos grupos de turistas era de moças. Bom, pode ser que era porque era uma feira de artesanato, e os rapazes não se interessam por isso, mas mesmo fora dali achei que a predominância era feminina nos grupos. Ou então é porque eu presto mais atenção nas mulheres mesmo… Bom, vai ver minha teoria é furada mesmo.
Perto da Torre do Clerigos, uma obra com tapumes e os anúncios do show do grande cantor brasileiro Alexandre Pires! Falta o sinal de ironia no português, assim como temos exclamação e interrogação, deveríamos ter também o sinal gráfico para indicar ironia. Temos que pensart nisso na próxima reforma ortográfica.
Torre dos Clérigos
O dia estava lindo, e pensamos em subir na torre, mas ela já estava fechada. De qualquer forma, mesmo de baixo, ela atrai bastante a atenção.
Mirante
Se perdendo mais um pouco, descemos uma rua e encontramos um belo mirante para a cidade. O lugar estava meio abandonado, mas de vez em quando chegavam turistas para fotografar a cidade dali. Dá para ver bastante prédios em ruínas na cidade, principalmente do alto.
Arte Contemporânea
Quando estávamos andando, nos deparamos com uma loja fechada com diversos papéis jogados pelo chão, possível de serem vistos pela vitrine. Parecia uma obra de Artur Barrio. mas é claro que a “arte” não foi intencional.
Continuando nossa saga para chegar ao Douro, vimos uma invenção genuínamente brasileira pas que já está incorporada a Portugal: O flanelinha. Estes são portugueses mesmo. Nada de pensar que são brasileiros tirando emprego de portugueses!
Ponte Luis I
Finalmente chegamos à margem do Rio Douro. A vista é lida, principalmente com o Sol lambendo a cidade. A ponte Luís I fica com uma luz especial. Ouvimos que a ponte teria sido construída por Gustave Eiffel. Pura bobagem. As pessoas devem achar que dizer que a ponte foi construída por Eiffel valoriza a coisa. Mas o fato é que ele perdeu a concorrência , no final do século 19 e a ponte foi construída por uma empresa belga.
Onde Comer?
Já estávamos com fome, e resolvemos que tínhamos que comer. Mas como escolher? Andamos de alto a baixo a rua em frente à beira do rio, procurando um lugar legal. Achamos o restaurante indicado pela recepcionista, parecia mais luxuoso e estava vazio! Apenas um casal de turistas, enquanto os outros restaurantes perto estava cheios. Parecia uma coisa mais turística que saborosa.
Continuamos andando. Parávamos e olhávamos o menu, mas o que a gente queria mesmo era encontrar um adesivo do Guide du Rotard. Encontramos um, mas om adesivo de 2006… depois disso ele nunca mais ganhou o adesivo? Resolvemos andar mais.
Quando estava já anoitecendo, e quase já estávamos indo comer naquele com adesivo de 2006, quando Ana viu de longe um adesivo, num restaurante fora da rua principal: “Adega São Nicolau” (Rua São Nicolau 1).
Realmente o restaurante estava concorrido e, como era de se esperar, muito franceses. Não foi difícil arrumar lugar, apesar disso. Como havia muita gente, os garçons estavam afobados. Apesar da comida ser boa, não fomos bem atendidos, por conta da lotação do restaurante. Talvez acabe sendo muito turístico mesmo e os garçons não te dão atenção. Não sei se voltaria. Pedimos um bacalhau à Lagareira, que estava ótimo. A sobremesa foi um doce chamado algo como “missionário”, ou algo parecido. Não gostei. Valeu pelo bacalhau.
Festival de Folclore
Saímos do restaurante e andamos até a prça, aproveitando a bela iluminação da beira do Rio. Chegando lá, por coincidência, estava acontecendo um festival de folclore português, com danças típicas da região e pessoas vestidas a caráter.
Sentamos na praça e assistimos durante um bom tempo as apresentações. Já estava bem frio!
Outra coincidência: Quando me sentei, vi passa na minha frente um rosto conhecido. Não achei que fosse possível. Continuei olhando e parecia um professor da engenharia da UERJ. Ela estava com a mulher sentando numa mesa perto da nossa. Seria possível? Um momento quando ele voltava depois de tirar uma foto da dança do palco, gritei o nome dele, para ver se ele olhava: “Pimenta!”. Ele olhou para o lado! Era realmente ele! Incrível isso de enontrar alguém conhecido numa pequena praça do outro lado do mundo.
Ainda ficamos um pouco e pegamos um táxi para voltar para o hotel.
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~ por meiomegapixel em julho, 30 2011.
Publicado em Viagem
Tags: Porto, Portugal