Lisboa, 27 de julho de 2011.
Neste nosso primeiro dia completo em Lisboa, demos uma volta nos arredores do apartamento. De manhã, na praça, um movimento tranquilo de pessoas. O Sol já batia forte. Um homem dormia, despreocupadamente, no banco, um outro, com feições orientais, pintava um belo quadro da praça.
Desta vez já sabíamos que da praça poderíamos pegar o ônibus para descer até a parte baixa da cidade, e como tínhamos o passe do ônibus, bastava entrar no ônibus e validá-lo.
Indo para o castelo
Descemos até a praça Martin Moniz, onde podíamos pegar o “elétrico” até o castelo de São Jorge, no ponto mais alto da cidade. Lisboa, com seus bondes e colinas, mais o bairro antigo, lembra Santa Teresa ampliada.
Não sabíamos direito onde descer para ir ao castelo e, num determinado ponto, achamos que já era hora, mas quase ninguém desceu, o que achamos estranho. Foi quando Ana perguntou a uma senhorinha onde deveríamos descer. Ela rapidamente respondeu: é aqui! é aqui! Descemos rapidamente e também metade do bonde… Acho que todo mundo estava esperando por que alguma pessoa desse a indicação.
Mirante
O ponto da descida também é próximo a um mirante, e nenhuma placa indica o castelo. Chegamos a cogitar que a senhorinha queria era só esvaziar o bonde, que estava bem cheio…. mas é claro que não. Primeiro, a vista do mirante sobre Lisboa é muito bonita, e depois, basta andar um pouco, e subir ainda mais, que chegamos ao Castelo.
Mas tem poucas indicações na rua. É bom ter um mapa da cidade ou perguntar a alguém como chega.
Isto é uma coisa que percebemos bem na cidade.
Existem poucas informações para o turista (no Rio de Janeiro também é assim…), mas isso é compensado pela gentileza e prestatividade das pessoas em ajudar. Todos que pedimos informações na rua sempre foram muito solícitos e simpáticos.
Em Portugal é comum pendurarem suas roupas, mesmo íntima, num varal em frente à janela. Mesmo aquelas que dão para a rua da frente.
O urinol
No caminho para o castelo, uma coisa sui generis: um urinol! Num canto da rua, um pequeno biombo, com uma água que corre constantemente lavando a parede, podia ser usado por homens apertados para se aliviar. Ou seja, um banheiro masculino no canto da rua. Foi o único que vimos em Portugal.
Castelo de São Jorge
Chegando no castelo, uma pequena fila para comprar os bilhetes. Turista europeu quer aproveitar ao máximo o Sol, e mesmo fazendo um sol de rachar e havendo espaço na sombra, eles faziam fila ao Sol… conseguimos levar a fila para a sombra, mas na arrumação uma turista, que achei que falava uma língua do bloco oriental da europa, furou nossa frente. Até aí tudo bem. Era simplesmente distração.
Mas quando foi chegando a hora de entrar mesmo na bilheteria, apareceram outras 6 pessoas que estavam com ela! Quando vi o pessoal se aproximando, tratei de recuperar meu lugar!
O castelo foi construído sobre uma base muito antiga, pré-romana. Depois teve influências árabes e enfim dos portugueses. Foi destruído pelo terremoto de Lisboa e só no século 20 começou a ser recuperado e ganhou seu periscópio para a exposição universal de 1998. Dá uma visão esplendida sobre Lisboa.
Tem-se que subir e descer muitas escadas e as pessoas devem ficar atentas: não tem nenhuma proteção nas escadas e nos muros, qualquer um pode cair, se ficar desatento.
O periscópio
Uma coisa legal de se ver no castelo é o periscópio: numa sala escura, montaram um sistema que utiliza uma das torres como periscópio. Uma imagem é projetada numa grande bacia de gesso Com um sistema de cordas, a imagem da cidade é projetada enquanto o foco pode ser ajustado movendo-se a bacia para cima e para baixo. Isso permite uma visão de 360 graus sobre a cidade, usando as cordas para girar o periscópio que está na torre. Muito engenhoso. Quando entrei pensei que isto era da época da construção do Castelo, mas não. Foi feito para a Expo98. Alguém teve essa ideia. Se fosse um artista, chamaria isso de obra de arte contemporânea, mas, como não era, chamaram-na simplesmente periscópio…
O chato do castelo
Ficamos bastente tempo no castelo. Quando entramos, havia um homem tocando flauta e chacoalhando a perna com chocalhos, para ganhar uns trocados. A música, no início era até agradável e criava um clima no lugar… Mas depois de meia hora com ele tocando a mesmíssima melodia, já estava irritando. Se fosse possível, pagaria para ele parar de tocar aquela música chata. Pensei que ele ia parar para almoçar, mas não! O chato continuou tocando até irmos embora. Já não aguentava mais!
O Polícia
Saindo do castelo, pegamos um ônibus para descer a colina. Uma família de franceses discutia se o ônibus parava ou não ali. Ainda íamos encontrar esse grupo outras vezes, sempre discutindo!
Depois de descer para a o metro, fomos até perto do Museu Calouste Gulbenkian.
O Sol estava forte e nós, com fome. Perto dali tinha um restaurante recomendado: “O Polícia” (Av. Conde valbom 127).
Comemos Garoupa assada, que vinha misturada com arroz e um caldo. Quase uma sopa. Gostoso, mas sem muito brilho. E sardinhas, muito gostosas.
Para complementar, pedimos melão, que vimos vários clientes comendo e um “trouxa de ovos”. O melão estava realmente dulcíssimo. Excelente. A trouxa de ovos estava boa, mas muito doce para mim. Uma coisa que se deve ficar atento em Portugal é que tudo que vem à mesa é cobrado, mesmo o pão e manteiga. Comemos o pão, que nem era grande coisa, mas nem abrimos a manteiga e mesmo assim ela foi cobrada.
Custo total do almoço, com dois cafés para terminar, 39 euros. Fiquei tão fulo de terem cobrado a manteiga, que nem deixei gorjeta. Em outra mesa, um outro cliente, português, reclamava da conta. deve ter reclamado da manteiga…
Os preços dos restaurantes aqui em Portugal são mais baixos que na França, para nível semelhante, porém os pratos são menos refinados. Não quer dizer que sejam menos gostosos, mas que a apresentação é bem rústica Em Paris, os pratos vêm arrumados, para dar também um prazer visual. Em Lisboa, vem o prato com a comida dentro, simplesmente.
Museu Calouste Gulbenkian
Depois de almoçar, fomos ao museu. O museu foi construído por um milionário armênio. depois de viver anos na Inglaterra, ele passou os últimos anos de sua vida em Portugal. Exatamente durante da ditadura salazarista. O museu tem uma boa coleção, pequena mas representativa. A cada sala, mudamos de período: vamos do Egito à Grécia em poucos passos, diferente do Louvre, onde andamos salas e mais salas num mesmo estilo de arte. Ou seja, é menos cansativo para os pés e os olhos, mas o Louvre ainda é referência. Me chamou a atenção uma moeda, romana ou grega, não me lembro, cuja gravura é a de um homem em ereção! Será que era uma moeda de uso corrente? ou foi cunhada apenas para enfeite?
Penalva e textos
Este museu é composto de alguns prédios e num deles havia uma exposição dedicada a João Penalva, artista português que vive em Londres há mais de 30 anos. Esta exposição relacionava textos e imagens. Não conhecia o artista e gostei da obra, porém, como era uma exposição ligada a textos e imagens, era preciso ler o texto, por vezes bem longo, para entender a obra.
Um que gostamos foi sobre um caso de polícia envolvendo uma obra de arte. Ele foi convidado a fazer trabalhos sobre o acervo de uma galeria em Londres. No meio das obras, achou uma moldura com uma mecha de cabelo de John Ruskin. A partir desta, fez outras 7 molduras com mechas de cabelos semelhantes, de modo que fosse impossível distinguir a original das falsificações. Durante uma exposição em 2002, uma das molduras foi roubada, justamente uma das falsas. O caso foi resolvido pela polícia, quando o ladrão tentou vender a mecha para um colecionador.
Assim, Penalva pegou as cartas trocadas pela administração do museu da exposição onde houve o roubo e a polícia, junto colm as mechas de cabelos falsas, em apresentou como uma obra que questiona os valores entre original, cópia e falsificação. Muito bom. Mas que entra na sala só vê umas molduras com cabelos, e várias cartas emolduradas na parede. Se não ler, não entende nada.
também tinha alguns trabalhos em vídeos interessantes, que por falta de tempo, não pudemos ver. Apenas um, o “rouxinol branco”, onde um homem e uma mulher conversam, com um clima bem misterioso. Gostei.
No andar de baixo tem a coleção de arte moderna e contemporânea do museu, com o famoso quadro que retrata Fernando Pessoa.
Outras exposições
Várias exposições, algumas não muito interessantes. Uma de fotografias de africanos. Apesar de ter alguma fotos boas, a maioria era simplesmente ruim, o que a ampliação exarcebava os defeitos. Outra era uma gigantesca retrospectiva de um artista chamado Pedro. Sinceramente, não achei que ele tivesse volume de obra para ocupar tantas salas. Apresentado como artista eclético, achei que ele simplesmente não tinha estilo nenhum. Muitas obras, talvez a grande maioria, eram da coleção do próprio artista. Tinha de tudo, fotografia, colagens, móveis, e no final, até uma viga enorme de metal no chão! Acho que faltou ideia para ocupar uma sala tão grande… “pega uma viga aí e fechamos a exposição”.
O prédio também é bem interessante. O curioso é que podemos fotografar tudo, desde que sem flash, exceto o próprio prédio, nas partes onde não tem obras de arte! Como não sabia, tirei várias fotos despreocupadalente, até que um funcionário veio me dizer que não podia fotografar.
Até o banheiro eu achei interessante para fotografar.
Parque e Botero
Na saída, descansamos no anfiteatro externo. Estava tão cansado que cheguei a dormir! Depois andamos com o objetivo de ir à estação do zoo e comprar o bilhete para o Porto na rodoviária. No meio do caminho, encontramos uma grande loja do “El corte Inglez” e entramos para conhecer. Na saída, passamos por uma parque, bem interessante, mas a luz já estava fraca. Neste parque tem uma bela estátua do artista colombiano Botero. tentei fazer uma boa foto, mas a luz nao ajudava.
Na descida do parque, um belverdere.
Jantando em casa
Com a ajuda de uma moça, descobrimos como chegar ao nosso bairro pagando o ônibus. Terminamos a noite fazendo um pequeno lanche, regado a vinho verde gelado e finalizado com um bom licor Beirão. tentamos ler do que era feito o licor, mas eles só dizem “ingrediente secreto”… Nossa conclusão foi que o ingrediente secreto era simplesmente laranja. Delicioso!
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~ por meiomegapixel em julho, 27 2011.
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Supimpa! Só estive em Lisboa uma vez, em 1980. Tirando as reviravoltas econômicas, olhando só para as fotos da cidade, parece que pouco mudou. Os elétricos parecem os mesmos. Com base em Lisboa visitei Sintra e Estoril. Sintra é muito bonita, com palacios históricos. Estoril é cidade praiana, nada de mais para quem vive no Rio.
Os pratos dos restaurantes, embora de apresentação simples, parecem suculentos e muito mais generosos que os de Paris.
Ah, Botero, o escultor das fofinhas, é colombiano.
Abraços.
Tudo depende da escolha do fotógrafo. Lisboa mudou mudou muito nesses anos. A parte moderna não é tão bonita quanta a antiga. Depois colocarei fotos da parte da cidade que foi reformada para a expo98, supermoderna. Como disse o “Guide du Routard”, o bairro alto, que fotografei, foi o único que escapou do terremoto de Lisboa e da Expo98. Quanta à comida. Os pratos franceses são mais refinados e os portugueses mais próximos da nossa comida caseira, mas se come bem nas duas cidades.