Paris e Lisboa, 26 de julho de 2011
Começamos o dia correndo, acabar de preparar as malas e partir para o aeroporto Charles de Gaulle para pegar o voo para Lisboa.
Diferente da viagem que fizemos do Rio para Paris, desta vez pegamos um voo barato, da easyjet. As diferenças seriam grandes!
Pegamos o metro 6 e o RER B, saindo de casa às 9:50, chegamos ao guichet da easyjet no aeroporto às 11:10h.
Primeira surpresa: só era permitida uma única bagagem de mão. Qualquer outra bagagem, a despachar ou um simples notebook teria que ser paga à parte. Tínhamos levado um lanche de casa, sandwiches de queijo e patê e pessegos. Ana tinha levado além da bagagem de mão, uma bolsa. Eu, estava com minha pequena mochila da máquina fotográfica. Tudo isso teria que caber na bagagem de mão. Argumentei que a máquina não entraria na pequena mala, além de poder quebrá-la. Assim, tive que colocá-la no pescoço, enquanto desmontava as divisões internas da mochila para poder espremê-la na mala de mão. Ana também espremeu sua bolsa na mochila que ela levava como bagagem de mão. Comemos apressadamente nossos sandwiches… Fiquei brincando que o banheiro do avião devia ser pago com moedas…Na hora de entrar, a aeromoça avisava: nossa empresa segue a política do lugar livre: primeiro a entrar, primeiro a escolher o lugar.
Quando todos estavam sentados, o comandante avisou: “Temos pequenos problemas que estamos resolvendo, então os passageiros podem usar seus celulares, computadores, usar o banheiro, pois este conserto vai demorar um pouco. Os manteremos informados sobre boas e más notícias.” Muitos no avião, inclusive eu, rimos. Nada agradável saber que o avião tem um problema e que podemops ter más notícias.
De qualquer forma, quase 1 hora depois, o problema foi sanado e decolamos.
O voo foi tranquilo, além da venda de sandwiches à bordo, a tripulação também vendia outras pequenas coisas, como perfumes, e brinquedos…
Chegamos em Lisboa atrasados. Encaramos uma grande fila para pegar o táxi. O motorista era bem conversador. Falou da situação econômica de Portugal e como o euro tinha gerado muita inflação no início, e que agora trazia ainda mais problemas.
Também falou que o bairro que ficaríamos era “um bairro gay”. “Sem preconceito” é claro. A corrida custou 18 euros.
Stress na chegada ao apartamento
Alugamos um apartamento pela Internet. Pelo site 4days. Estávamos temerosos se a coisa funcionaria. Era nossa primeira vez dessa forma. Chegando lá, pagamos o táxi, e tocamos a campainha do prédio. Nada. Tocamos de novo. Nada. Sem celular em Portugal, resolvi tentar captar alguma rede sem fio para usar o skype e ligar para o Leonel, o proprietário. Nada. Resolvemos tocar a campainha de um bar em frente “Tasca do Urso”, para pedir ajuda. Quando tocamos a campainha, vimos um rapaz descendo a ladeira e olhando para gente: era o Leonel.
Leonel foi muito simpático. Disse que esperava que ligássemos do aeroporto, e depois resolveu vir para ver se tínhamos chegado. O apartamento é muito bem localizado, no Bairro Alto. Depois descobrimos que tinha uma estação de metro não muito longe, e que ao lado, tinha um ponto de ônibus.
Leonel nos explicou como usar o apartamento, Wifi, água quente, cozinha… etc. Apesar de pequenos defeitos: a água quente do chuveiro podia desligar de repente, o lavabo demorava a escoar a água, o apartamento é muito bom e confortável. Sai bem mais em conta que um hotel. É equipado com panelas na cozinha, copos… Revistas que os outros hospédes deixaram eram sobretudo francesas. Entre elas, Nouvel Observateur,Beaux Arts e até um revista gay, “Tetu”, confirmando o que o taxista disse.
Primeira saída
Depois de desarrumar a mala, saímos para procurar um supermercado e comprar nosso café da manhã. No apartamento já tinha açúcar e um tipo de café “chicorée” que não gostamos. Descemos a rua. Aliás, Sempre tínhamos que descer. O apartamento era bem no topo do bairro alto.
Este bairro é um bairro antigo, com velhos edifícios. Segundo o guia du “Routard”, o único que sobreviveu ao terremoto de Lisboa e à “Exposição Universal” de 1998.
Na descida, uma senhora na rua, debruçada numa janela, conversava com a vizinha que estava lá dentro. Ana perguntou onde era o supermercado, e ela nos explicou como chegar. Isso foi uma constante em Portugal. Sempre que perguntamos algo na rua, as pessoas sempre foram bem simpáticas e prestativas em nos ajudar.
Compramos pão, queijo e para ficar na tradição: pastéis de nata.
Chegando em casa, não resisti e comi um dos pastéis de nata. Delicioso.
Deixamos as coisas em casa e saímos para procurar uma estação de Metrô para comprar um passe de transporte. No caminho, tinha uma confeitaria que anunciava que todos os doces e salgados entravam em promoção a partir das 17 horas. 50 centavos cada. Compramos mais 2 pastéis de nata, mas a massa era muito ruim. O do supermercado era melhor.
Procurando Metrô
Em Lisboa, existe um passe que te permite utilizar o megtrô, ônibus (autocarro) e o bonde (elétrico) durante um dia inteiro, quantas vezes você precisar. Vale muito a pena. Compramos para 4 dias, mesmo que restassem ainda poucas horas para o término do primeiro dia, ainda assim ele foi vantajoso.
Na busca do metrô, vimos como o bairro era alto. Descemos bastante até encontrar a estação. Fazia sol bem quente. muito diferente de Paris.
Lost in translation
No metrô, não cnseguimos entender direito como funcionava a máquina de vender passes. Depois de algum tempo tentando entender, apareceu um funcionário da manutenção e perguntamos como poderíamos usar a máquina, pois ela não trabalhjava com notas de 20 euros, as menores que tínhamos. Ele perguntou “Tens Desejos?”… o quê? “Tens Desejos?”… Ana ficou confusa.. quando eu consegui traduzir: “Tens Dez Euros?”… Não, não tínhamos. Então ele nos explicou que era necessário sair da estação e entrar pelo outro lado.
Pegando o bonde
Compramos nosso bilhete e nos dirigimos ao encontro que tínhamos marcado com nosso amigo Kiko e sua namorada Carol. Eles por acaso estavam em Lisboa, passeando. No dia seguinte partiriam para Roma e este seria o único dia que poderímos nos encontrar. Marcamos encontro às 20 horas, no Mirante da Graça, que nossa amiga Isabel tinha indicado como um bom lugar para tomar uma bebida enquanto se aprecia um belo por do Sol em Lisboa. Como, o Sol se punha às 21h, achamos bom marcar 1 hora antes.
Pegamos o metrô da linha azul até a estação de Martim Moniz onde ficamos meio confuso qual seria o ônibus para chegar à Igreja da Graça. Logo resolvido. Tínhamos que pegar o bonde. O bonde é bem antigo com 20 lugares sentados e 38 em pé (só se for muito apertado).
O bairro parece uma Santa Teresa ampliada. Muito pitoresco, assim como o bonde. Viajar no bonde já faz parte do passeio.
É possível ir de micro-ônibus,mas não é tão legal. Logo que o bonde saiu, teve que parar. Um carro estava estacionado no caminho dele. O motorneiro começou a tocar sua sineta para chamar a atenção do dono do carro. Depois de alguns minutos, apareceram duas mulheres, esbaforidas que entraram no carro e saíram rapidamente.
Mirante da Graça
Chegamos no Mirante da Graça 10 para as 8. Realmente a vista sobre Lisboa é bem bonita. O Sol pedia algo refrescante e pedimos um chopp…
Primeira lição de português: Chopp é Imperial, ou como me perguntou o garçon: “cerveja na pressão?”.
Kiko chegou depois de 20:30h. Já contávamos com um atraso. Turistas nunca podem estar exatamente na hora. Mas tínhamos boa margem até o por do Sol.
Kiko estava com uma boa máquina fotográfica, uma Nikon D300, mas usava ela sempre no automático!
Expliquei a ele rapidamente como usar melhor a máquina, usando outros controles como exposição, abertura, balanço de brancos… Afinal, para que serve uma máquina mais cara se você vai usá-la como uma “point and shot”?
Kiko não tinha comprado o passe diário e aí eu tive certeza que ele era bem vantajoso. O passe custa 4,10 euros por dia. Só para subir até o mirante, custa 1,50 do metrô e 2,50 do bondinho.. ou seja, 4 euros para chegar a um único lugar. Quando for embora, já vai ficar em 8 euros. Além da chateação de ter que recarregar o carto sempre que usa uma condução. No nosso caso, bastava entrar e validar.
A Brasileira
Queríamos jantar em algum lugar, mas Kiko não é dado a tursimo gastronômico como nós. Prefere comer sandwiches e até, pecado dos pecados, McDonalds. A última vez que entre num McDonalds foi em Versalhes, durante as férias do restautante universitário, quando fazia doutorado e um amigo era viciado em McDonalds (mas era magro). McDonalds pode até ter suas vantagens para o tursita apressado. Mas prefiro comer bem.
Queríamos comer na “Cervejaria Trindade”, que fica perto do tradicional bar/restaurante “A Brasileira”, no centro de Lisboa.
Também tinha sido uma indicação de nossa amiga Isabel, que disse que ficava “ao lado do “A Brasileira”. Dessa vez a dica da Isabel não tinha sido tão exata e a cervejaria não era ao lado. Andamos mais um pouco e perguntei a um passante onde ficava esta cervejaria, ele me indicou que era preciso subri a Rua Trindade. Como Kiko e Carol tinham que acordar cedo, 5 horas da manhã, para pegar o voo para Roma, resolvemos comer no “A Brasileira” mesmo.
Em frente a este restaurante tem um estátua do Fernando Pessoa. Ótima para tirar fotos.
Os pastéis de nata do “A Brasileira” são deliciosos. Mas, pelo que vi no cardápio, para por aí. Pedi um sandwich de queijo e presunto que era simplesmente um misto quente mal feito. Ana pediu um sandwich de carne e “salada”… Demorou quase meia hora para chegar e quando chegou era apenas um bife colocado dentro de um pão de leite, com meia alface e uma rodela de toma de dentro. Ou seja, para o “A brasileira” o melhor é comer o pastel de nata, tirar umas fotos, o ambiente é bem antigo e bonito, e depois sair e fazer a tradicional foto com Fernando Pessoa. Comer outra coisa ali é perda de tempo.
Nos despedimos de Kiko e Carol prometendo nos encontrar em Paris, para ver as “Nympheas” de Monet, do museu Orangerie.
Pensamos em pegar um táxi, para chegar ao nosso apartamento, mas quando descemos na estação “Rato”, vi que, apesar de ser quase meia-noite, a rua da Escola Politécnica era bem movimentada e iluminada. A caminhada era uma subida suave que pode ser feita em menos de 10 minitos. realmente estávamos num lugar ótimo em Lisboa.
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~ por meiomegapixel em julho, 26 2011.
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João, só prá dizer que estive por aqui (isto é lendo seus textos e vendo as fotos), interessante, dá vontade de viajar