Dia 04-08 – Ritmo lento depois da maratona


Depois da maratona de museus do domingo, achamos por bem começar a semana devagar. Acordamos tarde e resolvemos ir ao cinema cedo. O cinema aqui é muito caro. Nas sessões normais, chega a quase 10 euros (25 reais), mas nas sessões em torno do meio-dia, o preço cai bastante. Não é um horário muito prático para ir ao cinema, mas a economia é grande. Na Bastilha estava passando um filme que queria ver: La Fleur Sécrète”, um filme japonês de 1974. Perguntei a Hiroko se ela conhecia, e ela me disse que era um “porno japonês”, mas que todo porno japonês é obrigatóriamente soft. Pelo eu que tinha lido, a história era interessante, principalmente os bastidores do filme. A atriz principal, muito bonita por sinal, estava sendo cortejada para fazer filmes para uma produtora concorrente da que ela trabalhava. Depois de muito insistirem, ela concordou, desde que o filme de estréia dela na nova produtora fosse baseado no livro escrito pelo marido dela. Resultado, o filme tem praticamente 3 diretores: O diretor, propriamente dito, a atriz principal e o escritor, seu marido.

Almoço no Le Samson

Fomos até a bastilha, correndo para chegar lá antes da sessão começar, mas… na segunda-feira não tinha sessão de meio-dia… somente na quarta, sábado e domingo. Resolvemos voltar na quarta… Fomos então para o 13ème arrondisemant procurar uma loja chamada pixmania, que tinha o notebook asus pequeno por 209 euros… chegando lá, nova decepção: na segunda a loja só abre às 13 horas… Sem muita opção, resolvemos procurar um restaurante nas cercanias da Place d’Italie para comer e depois voltar na loja. Vários restaurantes estavam fechados para férias… Felizmente um deles estava aberto, o Le Samson,( 9 rue Jean Marie Jégo, Paris 13, Tel. : 08 99 69 05 79).

O restaurante é bem agradável e vimos que a maioria dos frequentadores era de gente do lugar. Pedi como entrada um prato de féta gratinada… Como descrever sensações gustativas??? Estava maravilhoso! Nunca comi um féta tão bom. Era quente e vinha com azeite e uma pimenta do tipo dedo-de-moça. Picante na medida certa. Ana pediu uma salada, bastante comum.

Atrás da Ana sentaram 4 homens que obviamente estavam trabalhando como pintores de parede. Num país mais igualitário, pintores de parede podem comer num restaurante…

Infelizmente não dei tanta sorte no prato principal: pedi a carne sangrando, e ela veio efetivamente assim, mas estava com gosto de queimado por fora. Horrível.


Chamei o homem que parecia ser o dono, reclamei e ele, na mesma hora, mandou o cozinheiro preparar outro. O segundo estava excelente!

Na parte de sobremesa, Ana pediu um doce grego, delicioso; e eu, uma pera com calda de chocolate. Bem banal. Estava com a lembrança da torta de pera e chocolate, do “Les Temps des Cerises”, então, esta sobremesa foi meio decepcionante. Mas o restaurante vale a pena. A decoração é agradável e o pessoal simpático. A comida, desde que você esteja atento e reclame se não estiver bom, é muito boa. O preço ficou igual ao Flunch, 28 euros, para dois. Pela qualidade, é um preço muito bom.

Tentando comprar mininotebook

Saindo de lá passeamos um pouco pela “Butte aux Cailles”, um bairro no 13ème bem simpático. Depois fomos à pixmania, onde eu achava que ia comprar o mini notebook. Este tipo de loja, acredito não exista ainda no Brasil: O material não fica exposto. Normalmente, você faz a compra pela Internet e pode receber em casa ou ir buscar na loja, se ela tiver em estoque. Se você não quiser usar a Internet, pode ir à loja, e o atendente vai fazer o pedido em um computador, também ligado à Internet. Ou seja, tudo passa pela Internet, mesmo que você vá na loja. Meu problema é que não queria um entrega em casa, mas eles, no caso específico desse notebook, só entregavam em casa. Acabei desistindo de comprar, pela complicação de entregar no endereço.

Voltamos ao centro da cidade, para passear mais um pouco.

Ambiente é tudo

Tinha lido na Internet que existia uma loja parecida com o “Passage do Désir” na rue de verrière. Vi uma loja nesta rua, e fui conferir se era a loja mencionada na Internet, mesmo não tendo o mesmo “look”. Entrei sozinho para ver se não tinha problema da Ana entrar. Saí logo. Era um sexshop gay… Pelo menos corroborou minha observação anterior: 80% do sexshop é de coisas para mulheres. Este último era muito menor, com aspecto lúgubre, com parte tomada por vídeos em dvd. Espantoso o consolo cujo tamanho só posso classificar como descomunalmente gigantesco. Decoração e ambiente é tudo. Os mesmos produtos, apresentados de forma diferente, podem te dar desejo ou vergonha de comprar. O pessoal do Passage du Désir (link para os curiosos maiores de 18 anos) conseguiu criar um clima descontraído para objetos que muitos não ousariam nem tocar (mas que no fundo têm desejo de conhecer). Dito isto, voltamos e compramos dois brinquedos. Funcionaram muito bem. É tudo que posso dizer.

Afrobeat no jardim


Às 18 horas tinha um show gratuito no Jardim de Luxemburgo. Tínhamos combinado com a Hiroko de ir ver e depois fazer qualquer coisa. Pegamos o ônibus até lá. O show, dentro da programação “Paris Quartier d’été”, era de um grupo de “afrobeat” americano. O “décor” estava maravilhoso. O jardim, centenas de pessoas para assistir o show. Hiroko ligou, dizendo que estava trabalhando e nos encontraria depois do show, na casa dela ou para fazer um picnic.

No início o show foi bom, mas depois começou a se mostrar um pouco repetitivo. As letras das músicas eram políticas, falando mal do Bush, o que angaria de pronto simpatia. Mas isso não é suficiente para fazer boa música. O grupo é formado por brancos nos metais, 1 negro na percussão e outro no vocal. Fotografei o que cantava, pois dava as melhores fotos.

Por que era repetitivo? Não sei direito o que seja “afrobeat”, mas me pareceu muito mais um show de jazz, com alguma percussão.

Gosto de jazz, mas detesto quando os músicos de jazz começam a sessão do “improviso”, o chamado “jam session”. Sempre me pareceu que os músicos se divertem mais que o público. A mesma coisa para solo de bateria. O baterista se diverte e o público fica maravilhado com sua capacidade de usar braços e pernas independentementes, mas, definitivamente, não é boa música. Assistimos uma hora de show e desistimos quando, durante uma música, ouvimos os mesmos acordes na guitarra por cerca de 6 minutos, com variações em cima disso dos metais e da percussão…

Beira do Sena

Ligamos para a Hiroko e marcamos um picnic na beira do Sena. Pedimos para ela levar copos de plástico, pois íamos comprar vinho. No caminho do Sena. Passei no Monoprix da Saint Michel e comprei vinho e kani. Com o pão que já tínhamos comprado, faríamos nosso picnic. Fomos passeando pela margem do Rio até encontrar um lugar confortável para ficar.

Picnic à noite

Encontramos um banco vazio com vista para Notre-Dame. Achei perto demais da igreja. Prefiro um vista mais ampla, mas de qualquer forma, era um bom lugar. Ligamos para Hiroko para dizer onde estávamos. Ela ainda demorou muito a chegar. Já estávamos com fome!

Tentei explicar a ela, pelo celular, como nos encontrar. mas estava complicado. Quando ela ligou de novo, resolvi ir buscá-la em frente à Notre-Dame. Já estava com muita fome!

Durante esta estadia em Paris tenho usado a filosofia do “free hug” com a Hiroko. Ela é muito japonesa, e antes acontecia dela nem cumprimentar a gente com os tradicionais beijinhos no rosto. Ficava com aquele jeitão japonês de se cumprimentar de longe. Agora sempre que encontro ou me despeço dela, eu dou um abraço apertado, sem machucar, é claro, às vezes levantando ela do chão. No início acho que ela estranhou, mas já deve estar se acostumando.

Agora sempre saio com meu canivete suiço. Para abrir vinhos é uma mão na roda, mas Hiroko esqueceu de trazer os copos. Ana pediu um copo a um grupo que estava na nossa frente. Hiroko não bebeu, comeu apenas frutas que tinha trazido.

Conversamos até tarde, vendo Notre-dame, os barcos de turistas que passavam, comendo pão com brie, uvas, kani e vinho tinto Bordeaux. Só terminamos porque o metrô acaba em torno de meia-noite e meia. Hiroko ainda nos acompanhou até quase a porta do metrô. Parecia querer continuar conversando. Tirei algumas fotos do Hotel de Ville iluminado.

Hiroko voltou para casa à pé. Dá uns 20 ou 25 minutos do hotel de ville até a casa dela à pé. Inveja, inveja, inveja… quando meu Rio de janeiro querido vai ser uma cidade tão segura que uma mulher sozinha, de short, possa ir para casa à pé de noite? Por via das dúvidas, e por tradição carioca, telefonamos para ela quando chegamos em casa, para saber se ela tinha chegado bem.

Fotos no picasa para este artigo

~ por meiomegapixel em Agosto, 10 2008.

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