Sexta-feira, 1° de agosto no Quai Branly
Em 2006, ο Museu do Quai Branly já existia, mas só agora fomos conhecê-lo. Esse museu inaugurado por Chirac, com arquitetura de Jean Nouvel (o mesmo que ia fazer o museu para o César Maia) e coleção de arte da Oceania, América pré-colombiana, África e Ásia é muito falado por todos.
Escravo Agonizante
Mas antes de chegar ao museu, era preciso almoçar. Fomos a pé até o Marais, passando novamente pela Promenade Plantée. No caminho, João fotografou detalhes da arquitetura do prédio da Polícia. O arquiteto inspirou-se numa escultura de Michelangelo que está no Louvre, o “escravo agonizante”. Pra dizer a verdade, a obra do Michelangelo aqui, reproduzida ao infinito, ficou bem gay ou sempre foi…
Almoço no harirang
Com o guia de bistrots de Paris, encontramos um restaurante coreano na Place du Marché-Sainte-Catherine, bem simpático. A praça é muito bonitinha e a comida do “Arirang” (nome do restaurante) era boa e light.
Em seguida, fotos no caminho até o metrô, que preferimos dessa vez para chegar mais rápido ao museu.
A prefeitura de Paris criou um mini parque verde em frente ao prédio. Ficou bem interessante. Uma Paris só possível no verão.
Museu do Quai Branly
Bem próximo à Torre Eiffel, a primeira coisa que nos impressionou ao passar pelo grande muro em plexiglass que é a entrada do museu, foi a ausência de ruído. Esse muro transparente funciona como uma barreira que deixa o barulho do trânsito do lado de fora. A gente sente que entrou em outro mundo porque há silêncio e um jardim de aspecto selvagem.
Muitos jardins contemporâneos usam plantas que no campo são consideradas banais, mato mesmo. Acho que na cidade, a gente sente falta de ver a natureza livre, e por isso começaram a fazer jardins assim, que fazem de conta que aconteceram sem planejamento. João percorreu o jardim, enquanto eu fazia uma aquarela.
Mostrando a carteira de professor, entramos no museu de graça. Cada museu aqui tem uma regra diferente, às vezes há uma redução para professores, às vezes não. Ficamos bem contentes de não pagar, sobretudo porque não gostamos da maneira como as peças estão expostas.
O museu é bem escuro, e há uma iluminação teatral para cada obra. Me lembrou a exposição que o CCBB fez há algum tempo sobre a África. É até bonito, mas cansativo de se ver. E por que esse aparato que acaba tornando tudo igualmente dramático? Nas aldeias onde essas ferramentas e esculturas foram feitas, elas só eram vistas à noite? Não faz sentido. Mas parece que o público em geral ficou bem satisfeito com essa exposição da coleção permanente. A gente acabou gostando bem mais de uma exposição temporária “To mix or not to mix”, muito legal. Colocaram lado a lado obras de países diversos, mostrando as trocas e apropriações entre eles. (nota do João – neste museu não permitem fotografia, enquanto as obras que ele contém, algumas podem ser vistas no Louvre e … fotografadas)
Quai Branly visitado, pegamos um ônibus até Montmartre, a gente já não tinha pressa.
Sagrado e Profano
Compramos um melão que comemos numa pracinha que fica bem atrás do Sacre Coeur, inacreditavelmente vazia! Só tinha uns dois casais de namorados. Os turistas apinhavam as ruas de Montmartre, e a gente não ficou muito tempo por lá. Na descida, João fotografou o Sexodrome, e voltamos para casa cansados, mas felizes com o dia.
Nota do João – Não só fotografei como também entramos. O Sexodrome é como uma grande loja para artigos de sexo. Ficamos sentados em frente, numa pracinha, olhando o movimento de entrada, para saber qual era o público. Pouca gente entrou, mas dava para ver que eram casais normais. Ana tinha medo que lá dentro mulheres lânguidas e voluptuosas, como bacantes enlouquecidas me agarrariam e me levariam para o sexo mais selvagem desta parte do hemisfério norte… nada disso. Na entrada a gente se surpreende pelo tamanho da loja. É enorme, com todo tipo de acessório para o sexo. Algumas atendentes te dizem um “bonjour” e te deixam à vontade, pois já devem saber que as pessoas ficam meio constrangidas. Uma coisa que observei é que 80% de um sexshop é para as mulheres, ou para ser usado para o prazer das mulheres. Bom, também pode ser para um homem gay, mas, pelas pessoas que estavam lá, a maioria é de casais mesmo. Uma variedade inimaginável de consolos, de todos os tamanhos, cores e formatos. Quando olhávamos esta seção, um atendende veio perguntar se queríamos ajuda. Disse que estava apenas olhando, e ele respondeu que se precisássemos, poderia prestar informações e se afastou. Na área tecnológica, chamou a atenção o pequeno vibrador para ligar no celular, mas só serve para mulheres. Cada ligação recebida será acompanhada de muito prazer… outra coisa era o pequeno “icome”, também só para mulheres, para ligar no ipod e vibrar conforme a música. Não compramos nada, mas foi divertido. Curiosidade, este tipo de loja aqui é proibido para menores de 16 anos e não 18 como no Brasil. “Money makes the world go around”, but sex makes the world funnier…
Nota do futuro – escrevo isto 5 dias depois, já no eeepc que comprei aqui. Muito bom. Para viagem é ideal e bem rápido.
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