Paris’08

Dia 19 – Dia de Atraso ou a Primeira Classe não é para todos

O vôo da Varig atrasou 2:20 h. Foi cansativo. O vôo deveria sair do Rio às 20:30 h, mas saiu apenas às 23:00 h! Ainda fomos para São Paulo, de onde decolamos somente à meia-noite.
No avião, do nosso lado sentou um rapaz, cuja namorada vinha, de tempos em tempos, da primeira classe, conversar com ele. Eu pensava: ela, rica, pagou a primeira classe, ele, pobre, teve que vir de classe econômica mesmo… Nada disso, história bem mais interessante. Ele pegou o avião no Rio. Ia pela TAM, mas houve um problema e colocaram ele no vôo da Varig. Ela ia encontrar com ele e mais outros amigos na Europa. Ia de Varig mesmo, mas, devido a um “overbooking” da AirFrance e da TAM, 25 pessoas dessas duas companhias foram alocadas no vôo da Varig, e ela ficou sem lugar. No último momento, eles decidiram dar a ela um lugar na primeira classe!
Quando acontece isso, sempre pensei que a pessoa tinha direito ao serviço completo. Pelo jeito, não na Varig. As aeromoças chegavam e apontavam para quem na primeira classe não tinha direito a todos os privilégios do lugar, ouseja, quem fosse apontado tinha comida diferente, com talheres de plástico em vez de metal!

Dia 20 – Chegada – Um dia frio de verão


Vista da janela

Chegamos com atraso e cansados. Não consegui dormir a noite inteira, ou seja, cheguei um bagaço! Doze horas dentro de um avião, na classe econômica, que na Varig nem é tão apertada quanto noutras companhias (Iberia foi a pior até hoje) e cinco horas de fuso também cobram seu preço… Estava me sentindo realmente mal. Felizmente nossa amiga Laurence e seu marido, Julien, estavam nos esperando no aeroporto. A viagem do aeroporto até Paris foi rápida. Isso foi ótimo, pois já estava começando a sentir enjôo. Chegamos na casa de Inês e eu estava com febre. Deitei logo. Manu estava lá e Inês fazia os últimos preparativos para viajar para o Brasil na manhã seguinte. Apesar de verão, fazia frio, 20 graus ou menos.

Dia 21 – Dia de sol, mas viemos à Paris para dormir.

O dia estava começando a mostrar seus raios de sol. Não consegui dormir e Ana também não. Resolvemos ficar em casa. Ana saiu para comprar baguette e eu fiquei em casa. Dormimos o dia inteiro. O sol aparecia e aproveitávamos para dormir.

Bandeiras

Li uma peça do Plínio Marcos: “Dois perdidos numa noite escura”. O outro livro também era de uma peça, desta vez do Millôr Fernandes: “Um Elefante no Caos”, ou “Porque me Ufano do meu País”. Bem engraçado, mas o prefácio também é excelente. uma parte dele me chamou atenção.

Que objetivo tinham – se é preciso tê-lo – estas notas, estas frases, estes tipos, estas palavras? Todo e total, o direto e imediato, o plástico, o humano, o cerebral, o moral, o político, o etcetera. Nunca fiz por menos, sobretudo depois de determinada época da minha vida, no dia em que entendi que devia tentar tudo, porque só há um homem respeitável – aquele que realiza o máximo do potencial que a natureza lhe deu. Que isso seja pouco porque o destino lhe foi parco em dádivas, não o desmerece. O que o desmerece é a humildade, é o não tentar. O que o desmerece é o não se descobrir, o não se pesquisar, o não saber para que veio e que notícia traz. Eu já sei para o que vim e o grito o mais alto que me for possível. Se não me entendem, azar o meu, algumas vezes, e sorte a minha, tantas outras.

De noite recebemos a visita de Hiroko. Muitas histórias. Ela ficou até meia-noite. Apesar de problemas com a garganta, falou a noite inteira. Foi divertido e eu estava começando a melhorar.

Hiroko

Ela foi embora mais de meia-noite, apenas porque o metrô ia fechar. Quando é que no Rio deixaríamos uma mulher bonita, de mini-saia e salto alto, sair sozinha, depois de meia-noite, por ruas desertas, para pegar o metrô sozinha?

Quando ela saiu, olhei pela janela e vi o estacionamento da Velib, a bicicleta de aluguel de Paris. Ainda vou tentar isso… Mas amanhã ainda é dia de recuperação.

~ por meiomegapixel em Julho, 24 2008.

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